Emoções em tempos de COVID-19

Emoções em tempos de COVID-19

De repente ficamos isolados. Algo que parecia tão distante da nossa realidade, chegou sem mandar muito aviso e sem esperar a nossa organização prévia. Fomos forçados a mudar hábitos, a ficar em casa, a não socializar. Aliado ao isolamento, vivemos uma realidade cercada de incertezas. Até quando isso vai durar? Será que vou manter meu emprego? Quando poderei encontrar aquele amigo querido? Corro o risco de ficar doente?

Os especialistas defendem, através de dados robustos de pesquisa, que o isolamento social é a medida mais eficaz no combate à disseminação da doença. Em contrapartida, ele também pode trazer implicações para nossa saúde mental. Portanto, é esperado que tenhamos as mais diversas reações emocionais nesse contexto. É comum que emoções como a tristeza, a ansiedade, a irritabilidade, a frustração, a desesperança, entre outras, se façam presentes no nosso cotidiano. Entretanto, o que fazer quando elas chegam?

Primeiramente, devemos aceitá-las. Por vezes, temos a impressão de que não vamos conseguir tolerar sentimentos negativos e, assim, acabamos reprimindo-os. Na verdade, precisamos nos conectar com a nossa vulnerabilidade e aceitar que, nem sempre, vamos dar conta de tudo. Tente fechar os olhos e se imaginar tomando um banho de mar. Você olha para o fundo do oceano e observa aquela onda se formando e se aproximando de você. O que acontece se você “nada” a favor da onda? E se você tenta ir contra ela? Assim são as nossas emoções, como ondas. Elas vêm e vão e, na dúvida, é melhor “surfar” com elas! Lembre-se sempre de que você tem o direito de se sentir mal.

O isolamento também pode servir para praticarmos reflexões sobre a nossa vida. Quando você olha para a vida que tinha até aqui, com o que estava insatisfeito? Com o emprego? Com a relação? Com alguns hábitos? Ou será que apenas mantinha o costume de reclamar, sem se dar conta de todas as coisas boas que aconteciam na sua volta? Questione-se sobre isso. Tente resgatar as coisas positivas que você construiu até o momento e refletir sobre as mudanças que gostaria de fazer de agora em diante. Será que a vida que era, continua a ser? Faça planos para o futuro, mas não fique pensando em quando irá concretizá-los. Viva no presente. Todos os dias, tente encontrar algum motivo para agradecer: conseguiu sair da cama? Realizou todas as atividades previstas? Falou com algum amigo que estava com saudades? Aceitou suas emoções?. Por menores que possam ser, valorize suas conquistas diárias.

Se não conseguir fazer nenhuma dessas coisas, tudo bem. Pratique a aceitação e reconheça seus limites. Tente novamente outro dia!

Autora: Dayane Santos Martins
Psicóloga Clínica (CRP 07/29414)
Instituto de Neuropsicologia do RS
Pesquisadora no Laboratório de Psiquiatria Molecular / HCPA 
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento